O Caveirão

Blindado, pintado de preto fosco, crivado de balas, com uma caveira pintada na carroceria. Não amigos. Este não é a descrição de nenhum veículo da ficção. O que pretendo comentar aqui é o veículo consagrado pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais, o BOPE, da Polícia Militar carioca. A pintura mencionada anteriormente lhe rendeu o apelido tenebroso: CAVEIRÃO!

A infantaria alemã, na Segunda Guerra Mundial, foi a primeira a empregar veículos blindados em apoio ao deslocamento dos soldados. O sucesso deste binômio aliado a aviação foi a chave do êxito nazista no início da Guerra, a denominada Blitzgrieg. Os carros de combate são verdadeiras “ilhas” de proteção para os combatentes, propiciando abrigo dos projetis enquanto se deslocam. É mais ou menos desse jeito que o Caveirão é usado pelos combatentes do BOPE. Claro que em algumas ocasiões ele só os transporta e em outras é só usado como elemento de dissuasão, ou seja: está lá só para diminuir a vontade de combater dos criminosos.

Veículos semelhantes ao Caveirão foram utilizados em operações na África do Sul, durante o regime do Apartheid. Alguns deles eram equipados com jatos d´agua de alta pressão, um tipo de armamento não letal que pode ser empregado contra tumultos, além de lançadores de granadas de gás.

Quem nunca viveu no rio de Janeiro não tem a noção de quão intricada é a estrutura de uma favela. Becos, vielas, escadas, lages, ruas estreitas, um emaranhado de casebres, e no meio disso, muita gente honesta e trabalhadora, que está ali somente por falta de oportunidade. Os criminosos se entremeiam junto aos bons cidadão e os usam como escudos. Não é fácil separar! Às vezes, isso provoca tragédias! Pessoas inocentes pagam por erros de avaliação dos agentes da lei.

Tamanha é a hostilidade que a polícia enfrenta nos morros e comunidades carentes, alia-se aí, a vantagem dos criminosos em conhecer o terreno e estarem em posição mais elevada, que a polícia carioca se viu obrigada a lançar mão do recurso de carros blindados para transportar suas tropas para os locais de interesse. Os veículos blindados dão o apoio necessário às operações policiais quando estas se desenvolvem em lugares de alto risco. Outro fato de relevância é que o armamento nas mãos dos criminosos é de elevado poder de destruição. Armas como o AK-47, o AR-15 e o Sig Sauer estão nas mãos de indivíduos em locais onde há guerras civis em curso, ou seja, um disparo destas armas é na maioria das vezes fatal, não importando onde atinja. Os traficantes estão de posse destas armas destruidoras e não dá para enfrentá-las usando um colete a prova de balas. Daí o Caveirão surge como ferramenta de aplicação da lei.

O Caveirão é um veículo que possui grossa blindagem, inclusive até a metade dos pneus. Alíás, até as rodas são de material especial, capazes de resistir a tiros.

Há seteiras em volta do veículo para que os policiais possam disparar suas armas sem a necessidade de sair.

Há um sistema de altofalantes que possibilita a comunicação com o exterior. Através deles os policiais podem interpelar indivíduos suspeitos ou coordenar ações.

Uma torre blindada fica no teto, pode ser guarnecida propiciando uma posição mais elevada para efetuar disparos.

O pára-choque do Caveirão é um elemento a parte. Não raro os traficantes colocam barreiras para impedir seu avanço, mas o pára-choque do veículo permite que ele afaste o obstáculo e continue seu caminho.

Os Caveirões são veículos adaptados, isto é: A Polícia Militar nunca desenvolveu um projeto em que fossem levadas em consideração suas necessidades. O veículo é um carro forte modificado! Logo o peso extra da blindagem e acessórios acaba por forçar o sistema motor/embreagem demasiadamente, logo podemos ver imagens dos blindados sendo rebocados durante ações, mas isso é só reflexo do seu extenso uso e falta de recursos.

Durante os anos existiram vários veículos blindados, mas os mais modernos podem acomodar cerca de 20 policiais em seu interior. Detalhe: Os modelos mais antigos não tinham condicionadores de ar, e o verão carioca pode bater fácil 40°C!

Os vidros do Caveirão também são blindados e vez por outra estão com buracos de balas, há proteção especial para eles. Quando em área de conflito, a proteção pode ser baixada para proteção do motorista.

Não é somente o BOPE que faz uso deste veículo blindado, o CORE, Coordenadoria de Recursos Especiais, a elite da polícia Civil carioca também lança mão deste recurso. Não sei muito bem que tipo de ação a CORE desenvolve, mais sei que também é MUITO arriscada. Também há veículos utilizados pelo Batalhão de Choque da PM.

Não sou muito fã de siglas, ainda mais as vindas do inglês. Mas confesso que elas têm um poder de sintetizar muitos conceitos. BOV – Bug Out Veichle, ou Veículo de Fuga. Onde o Caveirão se encaixa nesta história toda? Não sei muito bem. Talvez eu só deseje plantar uma “sementinha” do mal e levá-lo a pensar em maneiras pouco convencionais de evadir-se para seu abrigo!

Já vi o Caveirão algumas vezes. Realmente o veículo trás as marcas de um guerreiro que combate uma guerra sem fim. Sua pintura descascada e algumas partes enferrujadas dão o toque para que ele pareça uma máquina de batalha. Ironicamente, o avistei em um pedágio…era um dos modelos mais antigos. Pude ver a mão enluvada do policial por fora da lataria batucando. Estava um calor de uns 35°C e eu estava indo aproveitar a praia. Imaginem o calor que estava no interior do veículo!

Certa vez foi um pouco mais assustador. Topei com o Caveirão escondido sob uma árvore. Silencioso, completamente apagado. Como uma fera que dorme. Não sei se ele estava em alguma operação, ou só tinha quebrado, mas aquela figura sinistra entocaiada na noite é uma visão que não esquecerei.

Abaixo há alguns vídeos que considerei marcantes sobre o Caveirão.

http://extras.ig.com.br/infograficos/caveiraobope/

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